Licenciamento imobiliário em São Paulo pode ficar mais rápido
O licenciamento imobiliário em São Paulo está passando por mudanças que podem impactar diretamente o planejamento de novos empreendimentos na capital.
O tempo necessário para aprovar um projeto não representa apenas uma questão burocrática. Para uma incorporadora, ele interfere na viabilidade financeira, no cronograma de lançamento e no período em que o capital permanece comprometido antes de o produto chegar ao mercado.
Na saída da Convenção Secovi-SP 2026, o prefeito Ricardo Nunes afirmou que a Prefeitura vem reduzindo os prazos de aprovação e adotando novos mecanismos para desburocratizar o processo.
A declaração foi feita em conversa com jornalistas acompanhada pelo Portal VGV, após a participação do prefeito na abertura do evento.
Segundo Nunes, a cidade já avançou na redução dos prazos, embora ainda exista espaço para melhorar.
“A gente diminuiu muito o licenciamento. É bem diferente do que era, mas confesso que ainda podemos avançar mais”, afirmou o prefeito.
Autodeclaratório contempla projetos de até 1.500 m²
Um dos instrumentos destacados pelo prefeito foi o novo regime de emissão declaratória eletrônica.
Regulamentado pelo Decreto nº 65.100/2026, o modelo permite que determinados projetos sejam licenciados por meio de procedimento eletrônico baseado nas informações e responsabilidades declaradas pelos interessados e responsáveis técnicos.
O regime contempla determinadas edificações residenciais, comerciais e industriais de até 1.500 m², localizadas em lotes de até 20 mil m².
Existem, porém, critérios e exceções. Habitações de Interesse Social (HIS) e de Mercado Popular (HMP), por exemplo, não estão incluídas nessa modalidade, assim como projetos enquadrados em determinadas áreas com restrições específicas.
A proposta é reduzir etapas e dar mais agilidade ao licenciamento imobiliário em São Paulo, sem eliminar as exigências previstas na legislação urbanística e no Código de Obras.
Na prática, o mecanismo aumenta a responsabilidade dos profissionais envolvidos e busca acelerar a tramitação de projetos que atendam aos critérios estabelecidos.
Prefeitura afirma que prazos já diminuíram

A secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento, Elisabete França, também participou da conversa e afirmou que a Prefeitura vem trabalhando em diferentes instrumentos para reduzir o tempo de aprovação dos projetos.
Segundo ela, processos que anteriormente poderiam levar três ou quatro anos já vêm sendo concluídos em períodos significativamente menores.
“Antigamente eram três, quatro anos. Hoje em dia tem oito meses, algo assim”, afirmou a secretária durante a conversa.
França também indicou que a expectativa é avançar ainda mais na utilização dos mecanismos autodeclaratórios.
Embora os prazos variem de acordo com as características e a complexidade de cada projeto, a redução do tempo dedicado ao licenciamento imobiliário em São Paulo pode ter impacto direto na viabilidade de novos empreendimentos.
Para uma incorporadora, afinal, tempo de aprovação também representa custo e risco.
Como o licenciamento imobiliário em São Paulo afeta o incorporador?
Entre a aquisição de um terreno e o lançamento de um empreendimento existe uma série de etapas que consomem tempo e capital.
Quando o prazo de aprovação se estende, a incorporadora fica mais exposta a mudanças nas condições que sustentaram originalmente a decisão de desenvolver aquele produto.
Juros podem mudar. O custo da construção pode aumentar. Novos concorrentes podem chegar à região. O comportamento do consumidor pode se alterar. Até o preço projetado para o empreendimento pode precisar ser revisto.
Por isso, o licenciamento imobiliário em São Paulo não deve ser observado apenas como uma etapa administrativa.
Ele interfere no custo financeiro do terreno, no cronograma de lançamento, na necessidade de capital, no planejamento comercial e, em última análise, no retorno esperado do empreendimento.
Quanto maior a imprevisibilidade do prazo, maior tende a ser o risco da operação.
Se o processo se torna mais previsível, a incorporadora consegue planejar com maior segurança o intervalo entre aquisição do terreno, desenvolvimento do produto, aprovação e lançamento.
Menos burocracia também exige segurança
A busca por velocidade, entretanto, não significa simplesmente eliminar controles.
No modelo autodeclaratório, os responsáveis pelo projeto assumem responsabilidade pelas informações apresentadas, enquanto o município mantém mecanismos de validação, auditoria e fiscalização.
Para o incorporador, portanto, o ganho potencial está na combinação entre agilidade, previsibilidade e segurança jurídica.
Esse equilíbrio será importante para determinar o impacto das novas medidas sobre o licenciamento imobiliário em São Paulo.
Reduzir etapas pode melhorar a dinâmica de desenvolvimento dos empreendimentos, desde que exista clareza sobre as regras e responsabilidade técnica durante todo o processo.
A leitura do Portal VGV
A discussão sobre licenciamento pode parecer essencialmente técnica, mas seu impacto chega diretamente ao modelo de negócio de uma incorporadora.
Um terreno adquirido hoje é analisado a partir de premissas de preço, demanda, custo de obra, juros, concorrência e velocidade de vendas.
Se o empreendimento demora anos para chegar ao mercado, parte dessas premissas pode deixar de existir antes mesmo do lançamento.
É por isso que previsibilidade pode ser tão importante quanto velocidade.
O avanço do modelo autodeclaratório e a sinalização da Prefeitura de que pretende continuar reduzindo os prazos apontam para uma tentativa de enfrentar esse problema.
Para as incorporadoras, o avanço do licenciamento imobiliário em São Paulo será percebido não apenas pela criação de novas regras, mas principalmente pela capacidade dessas mudanças de reduzir, na prática, o intervalo entre desenvolvimento, aprovação e lançamento.
No fim, existe uma pergunta que ajuda a traduzir toda essa discussão para o negócio imobiliário:
quanto tempo uma incorporadora leva para transformar terreno em produto e produto em mercado?
Cada mês economizado nesse caminho pode representar menos exposição ao risco, maior previsibilidade e uma operação mais eficiente.
Assista à declaração de Ricardo Nunes
O Portal VGV acompanhou a saída do prefeito Ricardo Nunes da Convenção Secovi-SP 2026 e registrou sua fala sobre os avanços e os desafios do licenciamento imobiliário em São Paulo.
No vídeo abaixo, o prefeito comenta a redução dos prazos de aprovação e o avanço do modelo autodeclaratório, com a participação da secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento, Elisabete França.
Assista à entrevista:
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