Novo Minha Casa, Minha Vida: Desafio ao governo Lula – por João Teodoro da Silva

Compartilhar a notícia

Criado em 2009, durante o segundo mandato de Lula, o programa denominado Minha Casa, Minha Vida decolou rapidamente, na tentativa de combater
Novo Minha Casa, Minha Vida: Desafio ao governo Lula - por João Teodoro da Silva

Criado em 2009, durante o segundo mandato de Lula, o programa denominado Minha Casa, Minha Vida decolou rapidamente, na tentativa de combater o elevado déficit habitacional do país. No ano anterior, levantamento feito pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registrou que o Brasil carecia de 7,9 milhões de novas moradias, 21% da então população nacional. Criado para combater essa deficiência, o programa concedia financiamento subsidiado, em parceria com estados, municípios e entidades sem fins lucrativos.

O MCMV foi um sucesso! Além de fomentar a economia, em especial o mercado de imóveis, ajudou milhares de famílias, urbanas e rurais, a adquirirem sua casa própria. Em dez anos, cerca de cinco milhões de unidades haviam sido comercializadas. Não obstante, em 2019, início do governo Bolsonaro, o déficit ainda era de 7,2 milhões de residências. O novo Presidente, ao invés de extinguir, remodelou o programa e o chamou de Casa Verde e Amarela. O resultado foi modesto. Só 1,6 milhões de unidades foram entregues entre 2019 e 2022.

Atualmente, o déficit habitacional estimado é de 5,8 milhões de casas. Retornando ao governo, Lula da Silva prometeu recriar o MCMV. Seis meses depois, sua proposta foi aprovada pelo Congresso Nacional. O novo programa pretende entregar dois milhões de unidades até 2026. A nova modalidade retorna com três faixas de renda. A primeira delas, prioritária, pretende financiar até 50% do programa para famílias com renda mensal de até R$ 2.640,00. A faixa 2, famílias com renda de até R$ 4.400,00; a faixa 3 atenderá famílias com renda de até R$ 8 mil.

Como nos programas anteriores, áreas rurais também serão atendidas. Mas a renda considerada será anual, tendo em conta a incerta variação da renda mensal no campo. O cálculo é simples. Basta multiplicar por 12 (meses) o valor das rendas mensais urbanas. Assim, teremos: faixa 1, até R$ 31.680,00; faixa 2, até R$ 52.800; e faixa 3, até R$ 96 mil. Embora ainda sem regulamento, o programa pretende incentivar a aquisição de imóveis usados e aluguel social, com subsídios de até 95%, a fim de promover moradia digna a famílias em situação de vulnerabilidade.

Sem dúvida, nada era mais esperado, em especial pela indústria da construção civil, do que a aprovação pelo Congresso do novo programa. Inclusive pela elevação dos valores a serem financiados: R$ 190 mil, R$ 264 mil e R$ 350 mil, respectivamente, para as faixas 1, 2 e 3. Todavia há grandes desafios pela frente. Para os empreendimentos da faixa 1, a localização do terreno sempre foi problema. Os mais baratos, enquadráveis no programa, quase sempre se localizavam em regiões ermas, o que resultava em abandono das casas pelos mutuários.

A proposta atual prevê a construção em locais já com toda a infraestrutura. Entretanto a escassez de oferta e a expectativa de venda fácil elevarão os preços dos terrenos. Quanto a recursos, o governo suprirá a faixa 1, mas as demais dependerão do FGTS, que é sustentado pelos empregados formais. Porém o desemprego cresce, a Selic segue em alta, e os saques da poupança continuam maiores do que os depósitos. Haverá dinheiro? Apesar das dúvidas, as notícias são alvissareiras. A construção civil e o mercado imobiliário têm muito a comemorar!

João Teodoro da Silva
Presidente – Sistema Cofeci-Creci

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhar a notícia

Assine GRÁTIS e receba nossos conteúdos em seu e-mail

Últimas publicações

Veja mais

No ciclo de vida de um empreendimento imobiliário, é comum que o cenário de mercado mude — e, com ele, ...
Por muitos anos, o perfil ideal de um incorporador esteve associado a atributos técnicos: domínio de viabilidade econômica, conhecimento jurídico, ...
Em um cenário de constantes oscilações econômicas, o reequilíbrio financeiro na incorporação imobiliária tornou-se uma ferramenta essencial para a saúde ...
O mercado imobiliário sempre esteve atrelado à dinâmica de crédito — tanto na ponta do consumidor, quanto no acesso ao ...
De acordo com a AELO, as perspectivas para o mercado de loteamentos em 2026 apontam que o setor chegará em ...
Antecipar-se ao crescimento é uma das estratégias mais poderosas da incorporação. A aplicação de uma tese de investimento urbano bem ...
A incorporação para aluguel está ganhando espaço no Brasil, impulsionada por mudanças no comportamento do consumidor, busca por ativos de ...
Gestão de crise se tornou uma competência essencial para incorporadoras, especialmente em cenários de alta nos custos, instabilidade econômica ou ...
A adoção de IA generativa no setor imobiliário está avançando a passos largos e promete transformar profundamente todas as etapas ...
A inteligência artificial na incorporação imobiliária já deixou de ser tendência para se tornar realidade operacional. Incorporadoras que antes apostavam ...

Banca VGV