A discussão sobre IA no mercado imobiliário parece ter mudado de estágio. Se até pouco tempo a pergunta era se as empresas deveriam adotar inteligência artificial, agora o desafio é outro: como transformar tecnologia em resultado real para o negócio?
Esse foi um dos principais pontos do painel Terap.IA, realizado na Convenção Secovi-SP 2026, acompanhado pelo Portal VGV.
Mediado por Marcus Sarkis, diretor do Secovi-SP, o debate reuniu Laryssa Kakuiti, economista do Secovi-SP; Sabrina Ribeiro, diretora de Operações da Cury Construtora; Leonardo Araujo, diretor de Operações Financeiras, Tecnologia e Inovação da Plano&Plano; Caroline Mathias, executiva especialista nas áreas financeira, operações, marketing de relacionamento e novos negócios; e Caroline Abreu, head de Inovação & Tecnologia, Qualidade & Meio Ambiente da MPD.
Mais do que apresentar ferramentas, o painel trouxe uma discussão que interessa diretamente às incorporadoras: IA sem processo, dados e objetivo claro pode apenas acelerar problemas que a empresa já possui.
O desafio já não é adotar IA, mas gerar valor
As experiências apresentadas mostram que a IA no mercado imobiliário já está sendo utilizada em diferentes pontos da operação.
Na Plano&Plano, Leonardo Araujo apresentou aplicações em atendimento ao cliente e cobrança. Segundo o executivo, nesses processos já é possível mensurar retorno financeiro, inclusive reduzindo a necessidade de crescimento proporcional das estruturas de atendimento.
Na Cury, Sabrina Ribeiro destacou aplicações que vão além das áreas administrativas e comerciais. Um dos exemplos está nos estudos de massa, utilizados para acelerar análises de terrenos que antes poderiam levar dias e passaram a ser realizadas em períodos muito menores.
A companhia também vem avançando em aplicações relacionadas a quantitativos, roteirização de estacas e conversão de CAD para Revit, contribuindo para a adoção de BIM.
Na MPD, Caroline Abreu chamou atenção para outro ponto: antes de automatizar, é preciso entender o processo.
A empresa vem trabalhando justamente no mapeamento das operações para identificar onde a tecnologia realmente pode gerar impacto.

Antes da inteligência artificial vêm processos e dados
Talvez uma das principais conclusões do painel tenha sido justamente aquilo que costuma receber menos atenção quando se fala em tecnologia.
Nem todo problema precisa de inteligência artificial.
Leonardo Araujo relatou que muitas demandas inicialmente apresentadas como projetos de IA acabam revelando problemas de processo quando são analisadas com maior profundidade.
Caroline Abreu reforçou a importância de estruturar dados e mapear os processos atuais antes de definir como eles deveriam funcionar com novas tecnologias.
Sabrina Ribeiro resumiu essa lógica em uma orientação simples durante o painel: a empresa não deve começar pela tecnologia, mas pelo problema que precisa resolver.
Essa talvez seja uma das discussões mais importantes para incorporadoras neste momento.

A visão do Portal VGV: IA não corrige operação desorganizada
Para o Portal VGV, o avanço da IA no mercado imobiliário reforça uma discussão que vai além da tecnologia.
Uma incorporadora pode contratar ferramentas, criar agentes e automatizar tarefas. Mas, se processos comerciais, indicadores, dados e responsabilidades não estiverem estruturados, a tecnologia tende apenas a reproduzir essa desorganização em maior velocidade.
É justamente por isso que a inteligência artificial também vem ganhando espaço dentro do VGV HUB, plataforma utilizada pelo Grupo VGV no acompanhamento estratégico de incorporadoras.
A lógica, porém, é a mesma apresentada durante o painel: a IA deve servir à gestão, e não substituir a necessidade de gestão.
Antes de perguntar qual ferramenta utilizar, talvez a pergunta mais importante seja:
qual problema da empresa precisa ser resolvido e qual resultado esperamos gerar com isso?
A próxima fase da IA no mercado imobiliário provavelmente será menos marcada pela quantidade de ferramentas adotadas e mais pela capacidade das empresas de responder a essa pergunta.
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