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Reflexo do preço dos materias de construção no custo dos imóveis


Recentemente, escrevi sobre a real possibilidade de um novo boom imobiliário no Brasil, alertada pelo analista econômico, Ricardo Amorim. Pareada com o aumento do volume de vendas, a elevação no preço dos imóveis ainda não se configurou significativamente. Os preços permanecem relativamente estáveis. Mas um fator subjacente pode desencadear o que todos queremos evitar, para o bem do mercado e do nosso bolso. Trata-se do preço dos materiais de construção.


Todos sabemos que o valor de venda dos imóveis é reflexo do custo de sua produção, agregado ao valor do terreno. Tudo obedece à lei natural da oferta e procura. Muita oferta, baixa procura, preços baixos; baixa oferta, muita procura, preços nas alturas. Pois o preço dos materiais de construção vem assustando o setor. A alta verificada nos últimos dias em alguns insumos, como cimento, tijolo, telhas, aço e tubos de PVC, entre outros, pode refletir seriamente no preço final de casas, apartamentos e outros produtos imobiliários. 


Com o início do isolamento social provocado pela pandemia, esperava-se uma retração forte no setor imobiliário. Por isso, muitas indústrias de insumos desmobilizaram sua produção. Felizmente, a previsão não se configurou. Ao contrário, depois de 45 dias da decretação da pandemia, houve forte recuperação do mercado, o que provocou alta demanda por materiais de construção. Como a produção de insumos estava em baixa, a consequência foi a elevação nos preços.


De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em setembro de 2020, os materiais de construção acumularam alta de 4,52%, contra 2,89% da mão de obra. Importantes componentes da construção tiveram aumento significativo. Eis alguns deles: tijolo, 16,68%; cimento, 10,67%; tinta, 5,77%; areia, 4,77%; ferragens, 3,07%; telha, 2,86%; material hidráulico, 2,56%; materiais elétricos, 0,96%; revestimentos de piso e parede, 0,71%. Mas também houve quedas: pedra, - 2,79%; madeira e tacos, - 4,04%; e vidro, - 6,5%. 


Extraoficialmente, algumas construtoras reclamam que, entre maio e agosto de 2020, o preço do aço cortado e dobrado subiu 10,0%. O concreto aumentou 9,75%, e o cimento 21,01%. No mesmo período, o quilo do alumínio teve alta de 33,93%, enquanto fios de cobre subiram 48,48%. Nada garante que esses preços terão sustentabilidade. Mas constituem, sim, grande preocupação para o futuro. Será o poder aquisitivo brasileiro, no pós-pandemia, capaz de suportar uma nova elevação nos preços imobiliários?


Por enquanto, a alta nos preços é modesta, embora acima da inflação. Em 50 cidades pesquisadas pelo índice FipeZap, preços de oferta, em setembro, os imóveis residenciais subiram 0,53% contra uma inflação de 0,43%, medida pelo IPCA. A alta acumulada em 12 meses foi de 2,31%. A inflação foi de apenas 1,13%. Houve, portanto, uma alta real no período de 1,16%. Segundo o FipeZap, o preço médio do m² residencial à venda, em setembro, foi de R$7.394,00. Máximo de R$9.242,00 (Rio de Janeiro, RJ) e mínimo de R$4.296,00 (Campo Grande, MS).


Enfim, a esperança é de que os preços se mantenham estáveis. Até porque os maléficos efeitos da pandemia deverão perdurar por um bom tempo. Altos preços não combinam com baixos salários.


João Teodoro da Silva

Presidente – Sistema Cofeci-Creci – OUT/2020



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