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Hello world!

A cultura de inovação do Vale do Silício


O que diferencia da cultura de corporações tradicionais


Acabo de voltar da "Missão Vale do Silício", evento organizado pela StartSe onde pude ter uma imersão de cinco dias bem intensos na cultura e mindset do Vale. Refletindo sobre o que vi por lá, e fazendo um paralelo da cultura presente em grandes corporações, pude notar o que diferencia o Vale de tudo o que aprendi convivendo e trabalhando em grandes empresas. Cada um destes grupos tem em seu modelo de gestão e pensamento pontos fortes, como também oportunidades de melhoria.  Portanto acredito que muito do que vi como fator de sucesso no Vale, pode ser aprendido e até certo ponto replicado nas grandes corporações.  Repensar o mindset em questões como eliminar burocracia, remover barreiras entre objetivos por silos ou departamentais, celebrar a diversidade e colaboração, trazer agilidade e ter a cultura de criação de produtos junto com o cliente são fatores chave para manterem empresas competitivas, podendo acompanhar o ritmo frenético de inovação.


Diversidade – Esta uma das características mais fortes do Vale. Mais de 50% dos residentes de lá são estrangeiros. Uma variedade muito grande de culturas, etnias, cor, religião, origem e orientação sexual está presente e interagindo de forma colaborativa. E com algo único – um real respeito por toda esta diferença. Isto explica tanta criatividade – linhas de pensamento diferentes criando ideias, construindo em cima, colaborando. Nas grandes se fala bastante em diversidade, mas ainda há muito espaço para que a cultura interna seja reformulada de forma a realmente ter esse olhar positivo por parte dos funcionários com relação a estas diferenças. Acabar com estereótipos e pré-julgamentos, quando o outro se apresenta de forma diferente, para assim permitir a inclusão e criatividade.


Colaboração – Dentro de toda esta diversidade a palavra de ordem é colaboração. Não só as pessoas, mas também as startups trabalham com uma postura muito forte de colaboração. Ouvi bastante a palavra "Coopetição" – Cooperação entre negócios competidores. Ideias são compartilhadas, até para que possam receber feedbacks construtivos. Não existe o pensamento de trancá-las a sete chaves. Afinal, por lá, uma ideia por si só não tem muito valor, o que conta é o poder de execução. Então, porque não compartilhar, conversar a respeito, receber feedbacks e melhorá-la? Nas corporações do Brasil já temos visto exemplos de empresas trabalhando juntas em co-inovação -  Bradesco e VISA por exemplo, um mindset voltado ao benefício do ecossistema, e não somente aos limites da corporação.


Networking – é uma das coisas mais valiosas no Vale. Todos os dias  possível encontrar pela cidade eventos regados a pizza, cerveja e claro, muito conteúdo. Espaço e tempo para troca de cartões, conexões no LinkedIn, conhecer o negócio do outro, compartilhar ideias. Muitas parcerias são estabelecidas nestes eventos. De uma maneira bastante informal as pessoas se aproximam e iniciam a conversa, buscando fechar negócios, parcerias, colaborar. Em corporações temos os happy hours com a finalidade de aproximar os funcionários, mas pouca promoção de eventos de networking com comunidades externas para intercâmbio de conhecimento e ideias. Com isso, acabam por ficar mais fechados em sua própria rede interna. 


Objetividade – O ambiente promove networking, mas é preciso ter objetividade. Não querem perder tempo, então é preciso conquistar a atenção do seu ouvinte nos primeiros 5 a 10 minutos. Caso o outro entenda que dali não sairá negócio, vira as costas e vai para o próximo. Tempo ali é dinheiro e não querem perder com embromação ou conversas que não vão levar a um negócio. Também se percebe a objetividade na comunicação escrita – e-mails curtos, direto ao ponto. Algo que nas grandes se pode melhorar muito. Reuniões longas (e nem sempre produtivas), e-mails rebuscados, formalidade.... Será que de uma forma mais simples não ganhariam mais agilidade e foco no que realmente importa?


Informalidade – Terno e gravata não se vê por lá. A informalidade está na vestimenta, na forma de locomoção, na maneira de falar e de se expressar. Muito relacionado com os pontos acima sobre diversidade e objetividade. As pessoas acabam se apresentando sem máscaras e de forma bem mais transparente, sem precisar representar. Em grandes ainda vemos uma cultura bastante formal, que vem mudando principalmente nas que abraçam a bandeira da diversidade. Não que seja um problema, ou causa resultado negativo, mas apenas chamando a atenção para ver que se pode fazer diferente, mais leve. 


Propósito – Trabalhar em objetivo comum, um propósito – isso é o que importa no Vale. Preocupação em deixar um legado que torne o mundo melhor, que gere impacto positivo. Ganhar dinheiro sim, mas com propósito. Nas corporações podemos ver muito desperdício de tempo e esforço em questões políticas ou de objetivos departamentais, não necessariamente conectados com o todo. Isso é reflexo de um movimento de "matricialização" das organizações que percebemos nos últimos tempos, onde estruturas independentes e globais como Centro de Serviços Compartilhados, Produção e Suprimentos e até Pesquisa e Desenvolvimento se separaram das unidades comerciais para atuar de forma independente e matricial. Resgatar o conceito de todos trabalhando em objetivos comuns parece tão obvio, mas nem sempre presente em grandes corporações. Lembra do tão falado "Balanced Scorecard"? Objetivos cascateados em diferentes dimensões, mas conectados e interligados.


Ecossistema - Toda uma rede voltada ao empreendedorismo. As melhores aceleradoras, espaços de coworking, universidades, empresas de tecnologia, prestadores de serviços. Tudo parece se relacionar de forma harmoniosa, como um todo. O movimento agora deverá ser de corporações também se interligarem a este ecossistema, colaborando, investindo, extraindo valor também.

 

Conhecimento – Existe todo um apoio das universidades ao empreendedorismo. Os alunos são expostos a este mundo desde jovens, inclusive há uma universidade de cursos intensivos de curta duração voltados ao empreendedorismo chamada Draper University. Com isso, o conhecimento é um ativo em abundancia no Vale e um de seus diferenciais. Aqui no Brasil acho que ainda existe muito espaço para melhorar o nível de educação, e para que sejam incluídos temas de empreendedorismo na grade curricular de nossas universidades. 


Criar com os clientes - A questão aqui é não esperar pela perfeição para lançar o produto ou serviço. É criar um "MVP" – Produto Mínimo Viável que possa começar a ser usado pelos clientes e gerar um ciclo de feedback constante para ir aprendendo o que agrada estes clientes iniciais, e o que deveria ser melhorado ou eliminado. Validação constante, criar junto com eles, para eles. Em uma grande organização isto é mais complicado por diversas razões, mas é um pensamento que faria toda a diferença e poderia ser replicado. 


Falhar – Por lá, a questão de falhar é tratado de forma diferente. Existe quem diga que se você não se envergonha do seu primeiro protótipo, você demorou demais pra colocar seu produto no mercado e validá-lo. Falhas não são vistas como fim do mundo, pelo contrário. Foi uma oportunidade de aprender e refazer de forma diferente. Do outro lado, nas corporações esta questão de tolerância a falhas é delicada. Toda uma cultura onde falhas são punidas, bloqueando assim que em alguns casos, grandes ideias saiam do papel. 


Quer ouvir mais, e preparar sua equipe para esta nova era? Conte com a gente.


Artigo escrito por: Alessandro Souza, executivo de Inovação e Tecnologia da innovativa Executivos Associados



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